Juliana nasceu em Florença, no século XIII, quando ainda viviam alguns dos frades que haviam iniciado a nossa Ordem. Diz-se que pertencia à família dos Falconieri.
As poucas notícias históricas a seu respeito chegaram até nós principalmente por meio de dois opúsculos escritos por Frei Paulo Attavanti, na segunda metade do século XV: o Diálogo sobre a origem da Ordem dos Servos de Maria e uma coletânea incompleta de pregações quaresmais, intitulada Paulina praedicabilis. O autor, entre outras coisas, registra a tradição corrente sobre a figura desta santa de Florença.
Eis, em síntese, os dados de que dispomos.
Aos quinze anos, ao ouvir uma pregação de Santo Aleixo sobre o Juízo Final, Juliana ficou de tal maneira tocada por suas palavras que decidiu entregar-se totalmente à contemplação divina e ao seguimento de Cristo.
Frequentando a igreja dos Servos de Maria, cuja Ordem estava então iniciando, sentia-se particularmente edificada pela autenticidade evangélica da vida dos frades. Por isso, tanto suplicou à Rainha do Céu e a seus pais que lhe foi concedido vestir o hábito dos Servos de Maria.
Com outras jovens e mulheres de vida santa, que nutriam o mesmo propósito de conversão e de caridade, frequentava a igreja dos Servos de Maria de Cafaggio, às portas da cidade. Participavam da liturgia, cantavam os louvores da Virgem Maria e serviam aos irmãos, principalmente aos mais pobres.
Juliana era a orientadora de suas companheiras e, juntas, aspiravam a viver mais radicalmente o exemplo de Cristo, sob a proteção da Virgem Maria. É por isso que, como diz Frei Paulo Attavanti, “é tida como a ilustre fundadora das irmãs e das monjas da Ordem dos Servos de Maria”.
Verdadeira discípula de Jesus e de sua Mãe, repelia decididamente o egoísmo, o espírito mundano e as tentações do demônio. Embora ainda jovem, superava os adultos em virtude.
Sua santidade manifestou-se em muitos prodígios operados durante sua vida e, sobretudo, na hora da morte, quando, extenuada pelos jejuns, cilícios, vigílias de oração e outras penitências corporais, já não podia ingerir qualquer tipo de alimento.
Ela, porém, desejava ardentemente receber o Corpo de Cristo. Por isso, pediu com insistência que a Hóstia consagrada lhe fosse colocada sobre o peito.
Na Idade Média, essa prática de piedade era muito comum como forma de conforto aos enfermos que desejavam receber a Comunhão, mas não podiam fazê-lo devido à gravidade da doença. O sacerdote acompanhava o rito com uma oração, pedindo a Deus, que havia infundido a alma no corpo, que santificasse a alma do doente mediante o Corpo de seu Filho.
Feito isso, Juliana expirou, cheia de alegria por ter sido atendida. Diz a tradição que a santa Hóstia desapareceu, como se houvesse penetrado misteriosamente em seu peito.
Seu corpo repousa na Basílica da Santíssima Anunciada, em Florença. Foi canonizada pelo Papa Clemente XII, em 1737.
Ao longo dos séculos, até os dias de hoje, muitas mulheres têm abraçado o estilo de vida dos Servos de Maria, desejosas de seguir a Cristo e de servir à Virgem Mãe. Algumas viveram ou vivem em suas próprias casas; outras, em comunidades.
Todas, depois de Nossa Senhora, têm Santa Juliana como mestra de vida espiritual e de serviço apostólico. E ela, que não fundou nenhuma família religiosa, é invocada e venerada por todas como “Mãe”.
Ó Deus, por meio de Santa Juliana, exemplo de castidade e de penitência, suscitastes na Ordem dos Servos de Maria uma família de virgens a vós
consagradas; fazei que a vossa Igreja, movida pelo amor do Esposo, mantenha sempre viva a chama da virgindade fecunda. Por nosso Senhor.