Clélia nasceu na localidade chamada Le Budrie, na diocese italiana de Bolonha, em 13 de fevereiro de 1847, filha de José Barbieri e de Jacinta Nanetti, casal de vida cristã exemplar.
Desde pequena, sofreu muitas necessidades. O que sua família ganhava com o trabalho mal dava para sobreviver. Além disso, as doenças eram frequentes. O pai morreu de cólera quando Clélia tinha oito anos de idade.
Desde cedo, aprendeu com a mãe a costurar e a fiar, mas, acima de tudo, a amar a Deus e a viver santamente. Muitas vezes, pedia à mãe: “Mamãe, fala-me de Deus”; ou então perguntava: “Mamãe, o que devo fazer para ser santa?”
Ia com frequência à igreja para rezar e dedicava-se com amor ao estudo do catecismo. De índole mansa e bondosa, tinha grande transparência interior.
Em casa, fiava o cânhamo com muito capricho. Certa vez, quando a mãe lhe disse não ser necessário esmerar-se tanto, ela respondeu: “Mãe, não é justo fazer o trabalho malfeito, porque nos pagam e receio enganar os outros”.
Alimentava o espírito com boas leituras, entre as quais Exercícios para amar a Jesus Cristo, de Santo Afonso de Ligório, e Filotéia, de José Riva.
Tinha no Padre Caetano Guidi, pároco de Le Budrie, um ótimo mestre de espírito e, sob sua orientação, fez rápidos progressos no caminho do bem. Animada por ele e por sua boa índole, entregou-se totalmente ao serviço de Deus e dos irmãos.
Com outras jovens do lugar, ajudava os pobres e ensinava o catecismo às crianças. Aos domingos, após a oração das Vésperas, costumava reunir-se com três de suas amigas. Juntas, falavam de Deus e, aos poucos, foi-se firmando nelas o propósito de formar uma comunidade.
“Nós somos tão pobres”, dizia Clélia, “que nenhuma Congregação nos aceitará. É melhor que nos unamos e, juntas, levemos vida de recolhimento e de serviço aos outros”.
E assim foi que, no dia 1º de maio de 1868, Clélia e suas três companheiras, confiantes no Senhor, passaram a viver juntas numa casinha chamada “Casa do Mestre”, que depois passou a chamar-se “Retiro de Le Budrie” e ainda hoje é tido como o berço da Congregação das Mínimas de Nossa Senhora das Dores.
A finalidade principal da nova Congregação era dar formação cristã às meninas órfãs ou abandonadas pelos pais e ensinar-lhes trabalhos manuais.
Pouco tempo depois, Clélia, durante os exercícios espirituais, compôs uma regra de vida baseada na oração, no sacrifício, no trabalho e na caridade.
A nova comunidade tomou como protetores Nossa Senhora das Dores, cuja devoção fora difundida na diocese de Bolonha pelos Servos de Maria, e São Francisco de Paula, ao qual recorriam sobretudo nas necessidades.
O pároco, Padre Caetano Guidi, colocou à frente da nova família religiosa a própria Clélia, que Deus havia agraciado com seus dons, como se deduz do único documento remanescente: a carta “Ao querido esposo Jesus”.
A essa altura, começaram a manifestar-se os primeiros sintomas da tuberculose, que a obrigariam a ficar sete meses de cama.
Morreu no dia 13 de julho de 1870, pronunciando estas palavras: “Tende ânimo, porque eu vou para o céu, mas estarei sempre convosco e jamais vos abandonarei”.
No primeiro aniversário de sua morte, estando as irmãs a rezar juntas naquele que fora o seu quarto, ouviram uma voz que fazia coro com elas. Todas reconheceram que era a voz de Clélia, que se unia a elas na oração, cumprindo assim a promessa feita.
A Congregação das Mínimas de Nossa Senhora das Dores foi agregada à Ordem dos Servos de Maria em 1951.
Clélia foi beatificada pelo Papa Paulo VI em 1968 e canonizada pelo Papa João Paulo II no dia 9 de abril de 1989.
Seu corpo repousa na capela da casa-mãe da Congregação, em Le Budrie.
Ó Deus, que nos destes em Santa Clélia um exemplo de vida evangélica e de disponibilidade em servir os irmãos,
concedei que nós também saibamos imitar a Cristo, manso e humilde de coração, para alcançarmos a herança no vosso reino.
Por nosso Senhor.